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ervas para gaia

11/11/2020

llove

peace

harmony festival

22/09/2020 - 12h

serra da manteigueira

São Paulo - SP.

#Dança

#Performance

 

Essa ação performática foi realizada para ser presentada no festival, performance no equinócio de primavera - 

terça-feira 22 de setembro 2020.  

 

 

Ervas para Gaia é uma performance ritual concebida no Equinócio de Primavera, momento simbólico de equilíbrio entre luz e sombra e de renovação dos ciclos da Terra. A obra estabelece um diálogo entre corpo, plantas, elementos naturais e uma dimensão cosmológica de reverência a Gaia — compreendida como corpo vivo, origem e matriz de toda existência.

Em uma geodésica abandonada, a artista constrói um território ritual a partir de sete ervas e elementos de seu repertório simbólico: arruda, alecrim, manjericão, guiné, comigo-ninguém-pode, tabaco e pimenta, associados a práticas de limpeza, proteção, força e transformação. Espalhadas, enterradas e queimadas em processos de defumação, as plantas deixam de ser apenas matéria vegetal e passam a operar como oferenda, memória e linguagem.

Sete velas amarelas são acesas e distribuídas pelo espaço, enquanto a espada-de-São-Jorge é incorporada ao movimento do corpo como extensão ritual. Cabaça, casca de coco e búzios ampliam a dimensão ancestral da ação. Fogo, água, terra e ar atravessam a performance por meio da dança, dos mudras, da defumação, dos mantras, do sopro, do choro, do grito e da oração.

O corpo torna-se, então, um instrumento de passagem entre o humano e o terrestre. A dança celebra a potência de Gaia, enquanto a fumaça ascende como prece e as ervas retornam à terra como oferenda. O rito oscila entre celebração e penitência, beleza e devastação, gratidão e culpa.

Ao final, a artista realiza um pedido de perdão à Mãe Terra diante da barbárie humana. A performance desloca o corpo humano de sua posição de domínio para uma condição de reconhecimento e responsabilidade: somos parte da Terra, mas também somos agentes de sua destruição.

Ervas para Gaia é, portanto, um rito de reconciliação. Uma oferenda vegetal diante de uma ferida planetária. Um gesto de celebração da vida acompanhado pela consciência dolorosa de que aquilo que veneramos é também aquilo que violentamos.

Relato da artistaRealizar Ervas para Gaia no Equinócio de Primavera foi, para mim, uma experiência de celebração e de confronto. Entrei na geodésica abandonada com a alegria de dançar para Gaia, de oferecer a ela as ervas, o fogo, a fumaça, as palavras e o meu próprio corpo.Preparei as sete ervas e espalhei seus elementos pelo espaço. Acendi as sete velas amarelas, dancei com as espadas-de-São-Jorge, soprei, rezei, entoei mantras, fiz mudras e deixei que o corpo conduzisse o ritual. A defumação preenchia o ambiente enquanto eu enterrava e oferecia as ervas à terra.Mas, aos poucos, a celebração transformou-se em outra coisa.O choro veio como uma espécie de pedido de perdão. Chorei pela violência cometida pelos seres humanos contra a Terra, pela destruição, pela exploração e pela incapacidade de reconhecer que também somos natureza. Senti a alegria de estar viva e, ao mesmo tempo, a vergonha de pertencer à espécie humana.Meu grito, meu choro e minha oração tornaram-se parte da oferenda. Não queria apenas celebrar Gaia; queria reconhecer nossa dívida diante dela.

 

Ervas para Gaia foi, para mim, uma dança de amor e vergonha, de gratidão e arrependimento. Ofereci meu corpo à Terra como quem pede perdão por aquilo que a humanidade ainda não aprendeu a cuidar.

GABRIELA MAMODISI© 2020

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